Musical.Rio Entrevista: Gab Lara, o nosso ‘Querido Evan Hansen’
O ator Gab Lara, de 28 anos, que também é cantor e compositor, está vivendo um dos momentos mais importantes de sua carreira artística. Ele está em cartaz com o premiado espetáculo da Broadway, “Querido Evan Hansen”, no papel do protagonista Evan Hansen, que encerra temporada no Teatro Multiplan Villagemall no Rio de Janeiro e parte para temporada em São Paulo no Teatro Liberdade.
Gab que já atuou em musicais famosos como, “Cássia Eller – o musical”, “Clube da Esquina – os sonhos não envelhecem”, “O despertar da primavera”, “O garoto da última fila” e “Sonho de uma noite de verão”, lançou recentemente o single “Não dá pra ficar perto” nas plataformas digitais de música.

1- Como foi o processo de audições até você, de fato, receber a notícia que seria o Evan Hansen na montagem Brasileira?
Desde que soube que haveria audição para a montagem brasileira, me dediquei completamente. Passei a estudar as músicas na minha aula de canto, porque estava bem distanciado do universo do teatro musical americano nos últimos anos. Vinha estudando somente canto popular, então tive que achar um meio termo entre os dois universos. Mas foi esse um dos pontos que conquistou a equipe nos testes. Foram 2 dias presenciais: o primeiro somente música (cantei For Forever em inglês) e o segundo com música e texto (cantei a versão adaptada de Waving Though a Window, já em português e depois fiz as cenas com os demais atores). Depois disso, ainda fui chamado para um último callback na casa do diretor Tadeu Aguiar, onde cantei algumas músicas da peça e conversamos bastante. A partir desse dia, fiquei bem esperançoso de que seria, de fato, eu, mas só vim a saber mesmo duas semanas depois, quando o produtor Eduardo Bakr me ligou para dar a notícia.
2- O musical tem questões/temas que são considerados sensíveis, mas que precisam ser abordados! Para você, qual a importância do musical Dear Evan Hansen?
A vida com a internet ficou muito acelerada e ansiosa. O Brasil está entre os países com maior taxa de suicídio entre jovens no mundo todo. Esse número só aumenta, a cada ano. É um tema delicado, mas muito, muito, muito importante. Tivemos um bate papo ao final de uma sessão com o público, a equipe e com o auxílio de um profissional de psicologia; pude ver o quanto a peça ajuda a fomentar o debate sobre saúde mental de jovens. Esse, pra mim, é o papel da arte. Elucidar, desmistificar tabus, evidenciar o que está acontecendo na sociedade e, principalmente, ajudar a transformar esses sintomas.
3- Quais os aspectos do Evan Hansen estão presentes no Gab Lara?
Identifico-me em vários aspectos com o personagem. Eu era bem mais inseguro na adolescência, e continuo ansioso até hoje, mas com ajuda da terapia consigo administrar melhor esses sentimentos. E é uma baita responsabilidade interpretar o personagem título de uma peça tão importante como essa. O processo de ensaios, pra mim, foi uma mistura de autoconfiança e insegurança – o que tem muito a ver com o Evan. Tinha dias em que eu saía do ensaio completamente incerto do meu trabalho, bastante ansioso, mas era isso que me dava forças pra chegar no dia seguinte e tentar de novo, e de novo. É exaustivo, é difícil, mas essa é a delícia do teatro. Fora que a equipe do espetáculo – a direção, os atores, a produção e todos os demais colegas – foi essencial para me dar forças, sem eles, não teria conseguido. É uma peça de poucos atores, onde todos têm importância para trama e para construção da história, que queríamos contar com o máximo de carinho e precisão. Justamente pelo fato de achar que a maioria das pessoas iriam se identificar com alguma das questões apresentadas.
4- Recentemente você lançou o single autoral ‘Não dá pra ficar perto’, podemos dizer que após Evan Hansen podem surgir novas canções baseadas nessa experiência?
Lancei “Não dá pra ficar perto” no final de junho e já estou desenvolvendo um novo EP pra lançar ainda esse ano. Serão apenas 4 ou 5 faixas, a maioria composta por amigos meus. Mas a única música que eu mesmo compus e que vai entrar no disco, tem de fato reverberações provindas do espetáculo. Acho que é impossível não trazer algum aspecto dessa história pras músicas que eu tenho feito nesses últimos meses, acabo sempre lembrando de algo que tem a ver com a peça e que cabe nas composições.
5- Que conselho ou dica você daria para jovens talentos que estão começando sua jornada dentro do teatro musical?
Estudem! É o principal. Um ator nunca está preparado. Nunca ache que você está pronto, sempre tem espaço pra melhorar. Não tem macete, não tem um caminho das pedras. Cada um trilha sua própria carreira. Ninguém vai te ensinar o segredo do sucesso, não confie em cursos e coaches que prometem sucesso. Isso não existe. É uma carreira muito cruel, ser ator. O mercado é disputado, não tem trabalho pra todo mundo, às vezes a gente fica meses desempregado. Então é preciso muita resiliência, muita dedicação, muita sorte – não vou negar – e muito trabalho. Acreditem em vocês mesmos, no seu trabalho, nas suas habilidades, nunca deixem de estudar, de pesquisar, de querer conhecer. Sejam curiosos, atentos e sensíveis.
Pra encerrar, tira-teima musical:

Seu musical favorito nacional: Auê – A Barca dos Corações Partidos
Seu musical favorito estrangeiro: Querido Evan Hansen
Sua peça favorita: A Cantora Careca
Personagem favorito que já interpretou: Evan Hansen
Um espetáculo que gostaria de atuar: Esperando Godot
Suas referências de atores de teatro são: Marco Nanini, Letícia Colin, Matheus Macena, entre outros
Querido Evan Hansen em uma palavra: Esperança
‘Querido Evan Hansen’ está em sua última semana de apresentações no Rio de Janeiro, no Teatro Village Mall, na Barra da Tijuca. Apresentado pela Touché Entretenimento e pela Estamos Aqui Produções, o musical entra em cartaz a partir de 02 de Agosto, em São Paulo, no Teatro Liberdade.
Clique nos links abaixo, garanta seus ingressos, separe um lencinho e se prepare para se emocionar.

18 a 21 de Julho
Quinta e Sexta às 20h00, Sábado às 18h00, Domingo às 16h00
Ingressos Rio de Janeiro

De 2 de Agosto a 22 de Setembro
Sexta às 21h00, Sábado e Domingo às 16h00, Sábado às 20h00
Ingressos São Paulo